terça-feira, 14 de março de 2017

Descriminalização do “caixa dois”. A senha para as barbaridades do estado





*Nildo Lima Santos

O que os senhores políticos estão a dizer à sociedade sobre a descriminalização do “caixa dois” praticado despudoradamente e criminosamente por eles e suas agremiações políticas: “- Que o roubo ao estado pelos representantes desse estado, que se confundem com esse mesmo, é evidentemente crime cometido pelo estado. E, portanto, ao estado é dado o direito de cometer crimes contrariando as leis gerais e os princípios estabelecidos por ele mesmo, nesta situação, sendo o poder maior outorgado pelo povo através do processo de escolha dos dirigentes públicos. Destarte, pelos princípios da igualdade e da razoabilidade, caixa dois deixará de ser crime em toda sua extensão e daí, não mais existirá a possibilidade de incriminar qualquer cidadão comum ou empresário que promova arranjos em suas contas para a sonegação fiscal, seja através do ‘Caixa Dois’, ou não.” Daí se conclui que: a proposta é definitivamente destinada a se destruir de vez o Estado Brasileiro que, efetivamente, se consolidará como um Estado Bandido, tanto, pela liberalidade e tolerância às más práticas dos seus agentes representantes, quanto, pelo arcabouço das disposições das normas jurídicas negadas em seus princípios e nos princípios do Direito.


A conclusão é a de que: não teremos mais um Estado e uma sociedade organizada, mas, um ajuntamento de seres humanos desprovidos de qualquer sentido de civilidade e de razoabilidade, os quais, manter-se-ão vivos apenas pelo poder do mais forte pelo uso dos artifícios da barbárie. Então, as bombas que hoje servem para arrombar caixas eletrônicos, cofres de bancos, empresas de segurança e carros fortes, servirão também, para a destruição das rampas do Planalto e do Congresso Nacional e as colunas do Supremo Tribunal Federal. E, as armas que servem para a sustentação dos bandidos facínoras servirão, para o uso da grande massa de indivíduos barbarizados pelo Estado – que se fez bandido e se reforça neste sentido, na sua negação como estado legal e soberano. Daí já se justificarão as barbáries, no reconhecimento da legitimidade dos atos de barbárie praticados, como o “direito de barbarizar”. Um novo direito, evidentemente, com a origem nos costumes, mas, que enterrarão de vez o direito à segurança e à integridade física, que outrora era a obrigação do Estado a sua manutenção. E, como parte integrante desse ramo do direito, o do uso das armas que matam e intimidam na contenção dos agentes do estado. Sejam estes do fisco ou no exercício de quaisquer outras funções inerentes ao “poder de polícia administrativa ou judicial do estado”. O estado não mais será reconhecido pelos três Poderes da República que já se fazem em lama, mas, pelo império da barbárie e, tais Poderes, efetivamente e definitivamente, se transferirão para o domínio dos bárbaros que escravizarão parte da população através do terror imposto pela desordem e cujas leis serão os ecos da queima de pólvoras e o zunido das balas cortando os céus, corpos, carnes e almas em um País que outrora foi reconhecido como uma Nação formada por humanos, que gradativamente, perante o julgamento dos povos de outros países, já se reconhecem como animais irracionais e despudorados, sem a mínima credibilidade em todos os sentidos. É a isso que estamos caminhando a passos largos, já que estamos inseridos nesse processo ao longo de décadas que já são contabilizadas como décadas perdidas. Está faltando o quê, para a mobilização de alguma instituição que possa mais representar o poder do bem, neste País, na defesa da soberania nacional e do que resta de decência nesta Nação?!                 
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