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Bacharel em Administração Pública pela Universidade Católica de Brasília e FACAPE/PE, consultor em administração pública e, em desenvolvimento organizacional, com 46 anos de experiência na área pública iniciada no Exército e, que continuo em toda extensão da vida civil. Responsável por relevantes trabalhos em importância e quantidade, na área de formação e relacionadas ao desenvolvimento da administração pública e das organizações civis; dentre os quais: implantação de entes públicos, reformas administrativas e institucionais, incluindo implantação de município recém-emancipado, planos de carreira, regime jurídico dos servidores, concursos públicos, códigos tributários municipais, defesas de contas públicas, audiências públicas, controle interno, normas de posturas e ambientais, etc. Com a atuação ativa na área da filantropia e das organizações sociais. Com passagens e atuação no Rio de Janeiro, Brasília, Bahia e Pernambuco, onde, inclusive, fixou residência.      

domingo, 29 de janeiro de 2017

Registros em poesia. Parte da memória de um tempo





CANÇÃO DO ABANDONO

Lima Bahia

Após um frustrado amor
Ainda em mim fremente,
Vejam só o que restou:
Um lar desfeito de repente...

Uma criança algum dia descontente
E talvez... a me culpar,
Por eu não ter regado nascido semente
De um amor vulgar.

O amor em mim fremente e adúltero
Foi por demais inconseqüente.
Nem mesmo dela cheguei ao útero
Mas a amo eternamente.

E, na sombra dos meus dias,
Passo na rua dos amargurados
Envolto em mil fantasias
E compro sexo por trocados.

Satisfaço-me e saio enojado...
Tudo ao revés dos sonhos meus,
Quando por um beijo era encorajado
E vivia como muitos Romeus.

Ela a Julieta da sacada
Esperava um orgasmo de paixão
Para de mim fosse apossada
Com toda força do coração.

Na sacada não consegui subir.
- Mesmo com as forças da razão,
Vi então Maria de mim partir
Sem o orgasmo da traição.

E agora, quando passo por sua janela
Sempre cerrada para o amor:
- Vejo-a aberta e sempre dela...
E para o meu peito em dor.

Quando passo na rua da amargura
Compro sexo e coxas nuas.
Aí, entre conhaques, me vem a loucura
Por nunca ter visto coxas suas.

Mesmo assim: as acariciei
Nos mais sublimes pensamentos
Em que também as beijei
Em dispersos momentos.

Quando olho para a lua,
Envolta em véus e sonhos,
Lembro-me que ela é sua
E dos meus passos tristonhos.

Dei-lhe a lua como guia
Para brilhar e inspirar suas noites,
E a tenho como vigia...
A iluminar meus passos em açoites:

Desvirginando as noites das calçadas
Em minha inconsolável solidão...
Acompanhado de almas penadas:
Parceiras da imensidão.

Dei-lhe a minha desgraça
Como paga das boas horas...
- que pensei fossem de graça!...
... Passadas nas cinzas das horas.

Dei-lhe meus sonhos...
E minhas noites não dormidas!
Hoje!... os dias futuros medonhos:
Serão pagas de muitas vidas.

Brasília/82




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